A Torre

Por questões de logística, o primeiro elevador espacial foi construido em uma hipotética metrópole brasileira. Muitas especativas foram geradadas ao redor da parceria entre a NASA e a AES (agência espacial brasileira), o objetivo inicial seria apenas levar suprimentos e equipamentos à estações espaciais, mas num futuro um pouco mais distante, previa-se a instalação de uma enorme placa solar no topo do empreendimento, que seria capaz de abastecer boa parte do continente norte-americano. Como contra ponto ao progresso tecnológico veio o ceticismo, populares afirmavam veementemente com seu português despojado que aquilo era uma torre de babel.

No Brasil fora criado uma junta de técnicos, intelectuais e apadrinhados para supervisionar o trabalho dos ianques, mas como nada entendiam do que se tratava passavam longe das grades que isolavam aquela construção faraônica. Por outro lado curiosos vinham cada vez de mais longe para espiar através da cerca aquilo que no momento mal passava de um emaranhado de cabos e armações metálicas. Inevitavelmente, soldados americanos foram enviados para policiarem o local após o furto de metros de cabo, mesmo não tendo quase valor nenhum de revenda por sererm compostos quase inteiramente de quartzo e grafite.

A torre já chegava aos cem metros, e os abelhudos chegavam do Brasil todo. Junto com eles surgiram os primeiros ambulantes, vendendo pasteis, refrigerante e réplicas do elevador eapacial feitas de durepox. Quando armaram as primeiras barracas o governo americano exigiu que o presidente Luciano Huck removesse o assentamento urgentemente, a ONU logo interviu defendendo o direito a moradia dos ambulantes, os americanos deram de ombros e voltaram ao trabalho.

Os diversos terrenos baldios e pantanosos ao redor da área do elevador começaram a ser negociados a preços exorbitantes, e logo surgiram propagandas de condomínios prometendo energia solar gratuita e visitação às estações espaciais, dessa os americanos não ficariam sabendo. Enquanto conjuntos habitacionais de classes sociais com complexo de inferioridade se erguiam, os ambulantes penduravam suas roupas recém lavadas nas cercas cada vez mais altas que os dividiam dos engenheiros ianques. As lojinhas cresciam em numero, variedade e sofisticação: já haviam lancherias, albergues e até sex-shops vendendo consolos no formato do elevador, que já passava dos duzentos metros. Reclamações chegavam de hora em hora à NASA, sobre o barulho, os odores e a poluição visual vindos do lado de fora, que atrapalhavam os construtores; fora então construído um muro, sob vaias e protestos do povo brasileiro.

A situação dos moradores do assentamento lunar, como eram conhecidos, circulou o mundo e tanto o governo americano quanto o brasileiros foram criticados por aquela situação degradante de pessoas vivendo sob lonas negras e abaixo da sombra daquela construção improvável e que só beneficiava a burguesia que faturava milhões com a venda de matéria prima.

Quando mal passava dos seiscentos metros a obra foi suspensa, alguns dizem que os Estados Unidos cedera a opinião pública, outros diziam que fora por causa das latas de cerveja e camisinhas usadas arremessadas pro outro lado do muro, muro esse que já apresentava diversos orifícios, que proporciando ao turista espiar o outro lado, pagando cinco reais.

Devido à cláusulas contratuais o governo brasileiro teve de arcar com os prejuízos que os norte-americanos tiveram com a obra mal sucedida, por outro lado o zigurate tecnológico agora pertencia ao Brasil, que tenteu se gabar de possuir a estrutura mais alta feita pelo homem, mas foi logo desmentido. As imagens do obelisco inútil vinculadas pelas emissora de TV tiveram de ser tratadas para apagar a presença de alguns brasileiros que ja havíam envadido a torre. Em menos de um mês as lojinhas mais prósperas já haviam se movido para o interior da torre, através de um grande rombo no muro, quanto mais alto mais caro; entretanto o governo não deixou barato: removeu de lá todos aqueles que não possuiam alvará em dia.

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