Equinócio

Miguel saiu do trabalho vencido e foi surpreendido pela noite súbita e precoce, então deslocou-se para casa como um líquido viscoso através de um sistema de tubulação. Logo entrou em seu apartamento, atirou-se sobre a cama e o carregador do notebook que ela acomodava, sequer frouxou a gravata, apenas dormiu. A boca aberta emitia um ronco que ninguém escutaria.

Sem demora enxergou três frascos de vidro, tapados com rolhas de madeira. Vermelho, verde e azul era a cor do conteúdo de cada um.
— A poção vermelha dá força e vitalidade a quem a tomar — explicou um gênio ou alquimista que acabara de surgir e cujo Miguel jamais lembrou das feições — a verde, por sua vez, dá desenvoltura e habilidade para aquele que degustá-la e por último a poção azul dá inteligência e perspicácia à seu consumidor.
Naquele ponto da vida o que lhe faltava importava mais que suas preferências:
— Eu quero a vermelha! Sua voz soou infantil.
— Não entendestes nada — respondeu a figura misteriosa — você já fez essa escolha há muito tempo.

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